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Coldre do Sargento Amorim “entregou” a arma na mão do bandido

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FONTE

Uma informação obtida com exclusividade pela Folha de Araputanga aponta o passo a passo da ação que resultou na morte do Sargento Amorim, por volta de 01h00min da madrugada do dia 23/12/13.

De acordo com o soldado W. Miranda, ele e o Sargento Amorim receberam uma denúncia que havia uma moto roubada na residência do suspeito, um menor, com idade de 17 anos.

Os PMs, soldado e sargento deslocaram-se para o local e foram recebidos pelo suspeito que abriu a porta da frente de sua casa. Enquanto o  Sgt PM Amorim conversava com o suspeito o PM W. Miranda deu uma olhada nos fundos da casa que não é murada e avistou a moto. O solado comunicou o fato ao sargento.

Nesse ínterim, o suspeito disse que iria abrir a porta dos fundos para mostrar a moto, o sargento caminhou atrás do suspeito e o solado foi pelos fundos. A surpresa ocorreu quando, ao sair da casa,  o suspeito empreendeu fuga, mas, o sargento o perseguiu.

Na fuga, o suspeito enganchou em uma cerca de tela de galinheiro de mais ou menos um metro e meio. Foi então que o soldado  W. Miranda tentou puxá-lo pela perna. O Sargento também tentou puxar o suspeito.

A tragédia viria nos próximos atos, pois, enquanto puxava o suspeito, o Sargento acidentalmente caiu na tela e sua arma caiu do coldre, “vagabundo” e, caiu justamente, próximo ao suspeito que já estava deitado no chão.

Preso na tela, o Sargento Amorim ainda tentou alcançar a arma, porém o suspeito conseguiu pegá-la primeiro efetuando um disparo contra o soldado W. Miranda atingindo-lhe o pescoço. No ato do disparo, o soldado que estava segurando o suspeito pela perna caiu no chão sem reação por conta do tiro no pescoço que, segundo ele, lhe causou uma imobilização temporária, ele ainda tentou puxar a arma pelo fiel (excelente equipamento de segurança que nunca teria sido pago aos policiais e, diga-se de passagem, que salvou a vida de Miranda,  mas como estava sem força devido ao tiro no pescoço não conseguiu atirar no suspeito, que logo em seguida efetuou um disparo contra o sargento Amorim, acertando-lhe o peito, em seguida o suspeito levantou e fez mais dois disparos contra o soldado W. Miranda que estava deitado no chão.

Embora estivesse de colete, um dos disparos perfurou a direita da barriga do soldado, entrando pela lateral, onde o colete não protege. A bala saiu próximo à virilha esquerda. A munição ainda lhe cortou o intestino, o outro tiro acertou no braço do soldado.

Depois de efetuar os disparos no soldado Miranda, o suspeito retornou ao sargento Amorim que ainda estava vivo depois de ter tomado um tiro no peito e, lhes executou com outros quatro tiros.

O suspeito ainda viu que o soldado Miranda continuava vivo e tentou efetuar mais disparos contra ele, contudo, o soldado levantou-se e correu para trás da residência, mas não conseguiu disparar por causa do ferimento no pescoço. Foram momentos de terror, pois o suspeito continuou a fazer disparos contra o local onde o soldado se abrigara, até que a munição da arma acabou e, empreendeu fuga.

Em busca de ajuda, o soldado ainda caminhou até a viatura e desesperado tentou comunicação pelo inútil rádio que não funciona há alguns dias. O 190  do celular também não foi possível, pois a localidade não tem sinal de celular. O último recurso foi correr até um orelhão e pedir ajuda.

Um fato chama atenção: a colisão da viatura policial justamente em um poste na Polícia Rodoviária Federal. Essa viatura deslocou de Cáceres com três soldados para socorrer o soldado Miranda, ferido no distrito de Caramujo.  A informação é que a colisão ocorreu porque o freio ABS não estava funcionando e o freio travou jogando o veículo frente ao poste.

É normal que o policial que conduz uma viatura que parte para dar apoio a uma guarnição tenha que andar rápido e, no caso em questão, os soldados estavam velozes para socorrer um irmão de farda que deu sua vida para tirar um “vagabundo” das ruas.

Na colisão, foram feridos o Sargento Luciano e o Cabo Cezar. Socorridos para o hospital, eles passam bem e não correm risco de morte.

Pelas últimas informações obtidas pela reportagem da Folha de Araputanga, o menor, suspeito que atirou no soldado Miranda e assassinou o Sargento Amorim estaria no meio do mato, sem água e querendo se entregar. Mesmo sendo menor, toda polícia de Cáceres está no encalço do meliante.

Sem duvida é lamentável a morte do sargento Amorim e do sofrimento que passou e passa o soldado W. Miranda.  É preciso investigar, porém, que tipo de coldre os policiais estão utilizando, porque esse equipamento que “guarda” a arma de um policial precisa oferecer condições de segurança que evite queda de qualquer natureza.

Dos fatos narrados, sem dúvida, o menor teria sido capturado e ninguém teria se ferido. O saldo de uma morte, um policial alvejado com vários disparos e, pelo menos outros dois policiais feridos em viatura “sem freio” precisa ser investigada para se apurar de quem é a responsabilidade.

Os governantes que dispõe do nosso dinheiro público, de forma legal, para todo tipo de festa, shows, enfeites, árvores natalinas e obras bem ou mal acabadas precisam olhar a segurança como um todo. Que fique anotado: Sargento Amorim morreu em serviço, porque o coldre que lhe forneceram para guardar sua arma era uma porcaria, digna das rodovias matogrossenses oferecidas para o povo e para os policiais trafegarem enquanto trabalham.  Em 2014 o eleitor precisa lembrar disso.